CDL entrega nesta sexta-feira pedido de registro da tradição doceira para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN
Depois de dois anos de pesquisa sobre a tradição doceira em Pelotas, a documentação que integra o Inventário Nacional de Referências Culturais Doces Tradicionais Pelotenses, que pretende reconhecer a importância do doce pelotense como patrimônio imaterial brasileiro, será entregue para representantes do IPHAN nesta sexta-feira(30), às 17h, no auditório do Colégio São José. Caso seja reconhecido como patrimônio cultural, os doces pelotenses merecerão ações de salvaguarda, visando sua proteção, promoção, valorização e revitalização.
Conforme a professora da UFPel e consultora do CDROM que integra o inventário, Cláudia Magni, o reconhecimento do doce como bem imaterial pelo IPHAN é importante para não correr o risco de se perder a transmissão deste saber. “Se o doce de Pelotas for reconhecido como patrimônio imaterial, diversas ações de preservação serão aplicadas”, diz. Segundo Cláudia, o doce de Pelotas pode ser o primeiro bem imaterial reconhecido pelo IPHAN aqui no estado.
O projeto proposto pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Pelotas – CDL, coordenado pela Secretaria de Cultura – Secult e executado pela equipe do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia – LEPAARQ da UFPel, foi realizado entre os anos de 2006 e 2008. O inventário contou com financiamentos da Unesco e do Banco Interamenicano de Desenvolvimento – BID.
Na cerimônia de oficialização do pedido de registro, serão apresentados os resultados do inventário e entregues os cds interativos para as pessoas e entidades que contribuíram com a pesquisa. A cerimônia integra o 3º Seminário Internacional em Memória e Patrimônio, promovido pelo Curso de Mestrado em Memória Social, Patrimônio Cultural da UFPel.
Etapas do Inventario:
Os pesquisadores do LEPAARQ utilizaram metodologia do Inventário Cultural, desenvolvida e cedida pelo IPHAN. Na primeira etapa foi formada a equipe de trabalho, delimitados os bens a serem inventariados, diferenciando-os entre doces finos e coloniais. Ainda nesta etapa foi realizado levantamento bibliográfico para catalogação das obras, finalizando com entrevistas de cunho etnográfico que preencheram as lagunas bibliográficas.
Na segunda parte foram identificadas pessoas para serem entrevistadas, e logo após, iniciaram as entrevistas tanto no meio rural e urbano, onde foi possível compreender a dinâmica da tradição doceira. Também foram divididas as formas de confecção dos doces em doméstica, vinculada a tradição familiar e passada de geração em geração e comercial, através de auxílio do Sebrae e CDL que estão envolvidos na organização do setor de produção e comercialização dos doces. A última etapa foi a de documentação.