Publicado 22/02/2010 11:25
Com esse verso cantado pelo Jair Rodrigues desde 1971 faço uma homenagem ao carnaval de Pelotas.
Há alguns anos venho falando que a cidade está voltando a valorizar uma faceta da cultura pagã que sempre foi motivo de orgulho para nós, desde o tempo dos Corsos que desfilavam com famílias abastadas na Rua XV seguidos pelos trabalhadores nos arrastões e dos divertidos bailes dos clubes de brancos e de pretos.
Esse ano esse sentimento veio mais forte quando assisti a uma reportagem da série do Jornal do Almoço sobre a E. S. Ramiro Barcellos. Vi o Lilico na TV, um exímio tocador de caixa da época em que eu saia tocando surdo na bateria da verde-rosa da Bom Jesus, falando de resgatar “o tempo em que o povo respeitava a Escola de Samba e o Carnaval”! Me emocionei ao vê-lo trabalhar por uma agremiação que representa uma comunidade que volta a dar valor às suas instituições.
E eu falo sobre o que se faz hoje na Passarela do Samba lá na Viação Férrea e nas atividades paralelas como o carnaval no Laranjal (em especial as Sereias da Lagoa - obrigado Gidutti) e ao Concurso de Conjuntos Vocais do Diário Popular – parabéns Sérgio Cabral, que prestou uma belíssima homenagem à memória do Maestro Motta.
Como todos os foliões, Kleiton e o Kledir tiveram seu nirvana carnavalesco adiado pela chuva da terça-feira, mas na sexta caíram no samba com a Academia, de cujo enredo foram tema. E a Estação Primeira vem com mais um belo samba-enredo.
A alegria estampada na cara das pessoas, no sentimento puro de felicidade, o riso fácil, o bailado desengonçado dos homens vestidos de mulher e o samba no pé das garotas são bálsamos para revigorar energias. Considero alta demagogia os discursos que julgam esse maravilhoso inconsciente coletivo um mero “Ópio do Povo”. Nem quero saber qual é a válvula de escape desses “intelectuais”...
Justiça seja feita aos blocos burlescos que nunca deixaram a peteca cair, mesmo ficando sem nenhum apoio por muitos anos.
O Noite & Cia vem fazendo sua parte divulgando os principais eventos carnavalescos, ambientando o camarote da Numero 1 durante os desfiles oficiais e produzindo a 4ª edição da Feijoada do Gordo no Bar Aldeia com o Regional Laranjal e convidados. Lá estaremos. Com samba de verdade para o verdadeiro enterro dos ossos!
Ah! Sabem quem compôs o samba que destaquei no título da coluna? Wando, o eterno romântico em sua época sambista, com parceria de Nilo Amaro.
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